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A importância do professor de Língua Portuguesa e a variação linguística

Atualizado: 20 de Fev de 2019


A crença em uma língua estática e imutável está ligada principalmente à normatividade da gramática tradicional, que remota à Grécia Antiga, numa época em que os estudiosos estavam interessados principalmente em explicar a linguagem usada nos textos dos autores clássicos e em preservar a língua grega da "corrupção" e do "mau uso". A língua escrita - especialmente a dos clássicos - era tão valorizada que era considerada mais pura, mais bonita e mais correta do que qualquer outro tipo de linguagem.

O preconceito em relação à variação linguística, no que se refere às diferentes formas de expressão está profundamente enraizada na cultura ocidental e, infelizmente, a ciência da linguagem ainda não conseguiu “abrir as mentes, os ouvidos e os olhos da maioria das pessoas sobre o assunto.”

Diante deste cenário o professor de língua portuguesa tem um papel importantíssimo no contexto escolar. Cabe a ele auxiliar no rompimento com o pensamento preconceituoso que existe entre as variações da língua falada entre as pessoas. Sobretudo, em um país de dimensões continentais como o Brasil, a variação da língua falada é acentuada e precisa ser tratada como a identificação cultural de um povo e não de forma desrespeitosa e preconceituosa.

É importante destacar que a variação linguística está intimamente relacionada com o contexto sócio-econômico de seus falantes. Está diretamente relacionada com a interação entre as pessoas de um mesmo grupo social.


Esta variação não deve ser objeto de preconceito por aqueles que dominam ou pensam dominar a norma culta. Não é adequado imprimir uma visão arcaica da linguagem no sentido de entender que a variação linguística representa a degradação da língua e não admitir a existência da língua falada, bem como, não admitir que a escrita não se manifesta também em outros tipos e gêneros textuais.

Sendo assim, a língua não é, como muitos acreditam, uma entidade imutável, homogênea, que paira por sobre os falantes. Pelo contrário, todas as línguas vivas mudam no decorrer do tempo e o processo em si nunca pára. Ou seja, a mudança lingüística é universal, contínua, gradual e dinâmica, embora apresente considerável regularidade.

por Aline Spíndola


Referência bibliográfica:


LYONS, J. Introdução à lingüística teórica. São Paulo: Nacional. EDUSP, 1979.





Aline Spíndola

Professora feminista de Português, Literatura e Redação.

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