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A intertextualidade entre Hisbico Roxo e o ato de ler em Paulo Freire

Atualizado: 8 de Abr de 2019



A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, afirmou Paulo Freire na obra intitulada A Importância do Ato de Ler (1988). Com essa afirmação, Freire revela que o mundo que se movimenta para o sujeito em seu contexto pode ser diferente do mundo da escolarização. Dessa forma, a leitura das palavras na escolarização, ou de sua escrita, de nada implicaria na leitura da realidade , está aí a importância em ler e aplicar esta leitura no mundo real, desafios e esforços que levam ao sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve e, portanto, da relação entre “leitura” do mundo e leitura da palavra.

Sendo assim, observamos esta relação de leitura de mundo, na obra da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie em Hibisco Roxo.

Fanatismo, violência, repressão e descobertas acerca da vida são elementos que constituem o enredo desta obra.

Para além do impacto pela violência tão presente no enredo desde seu início, o livro leva a uma Nigéria vista de dentro para fora, pela perspectiva da adolescente Kambili. A mãe, Beatrice, é uma mulher submissa, de poucos gestos e voz sempre baixa. Eugene, o pai da jovem, é uma figura que lhe inspira admiração e elevado temor, um devoto fanático do catolicismo, cujas crenças o fazem repudiar o próprio pai – um velho contador de histórias que, desde sempre, recusou-se a abandonar seus valores tradicionais e a se converter ao cristianismo. Dono de várias empresas de alimentos e bebidas, Eugene é um homem rico, líder de um importante jornal e, curiosamente, conhecido pela população por seus vários atos de caridade.

Por fim, percebemos a peculiaridade dos dizeres de Freire quando na narrativa de Chimamanda, em todo o decorrer da história, as marcas negativas que decorrem de uma herança colonial com a imposição da cultura europeia, que em nada contempla a realidade de uma tradição africana que luta por permanência. Fanatismo, repressão, descoberta e uma personalidade que desabrocha perpassam todo o enredo, que, mesmo retratando o viés cruel dos costumes, permite que no vão dos dias os hibiscos ganhem cor.

por Aline Spíndola


fonte: Arquivo Pessoal

Aline Spíndola

Professora feminista de Português, Literatura e Redação.

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