• C.E.F.K.

Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras

Atualizado: 8 de Abr de 2019

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O oito de março deste ano de 2019 será uma sexta-feira de ressaca do carnaval. Em meio a agitações políticas, bloquinhos e glitter abrem alas.

Estamos acostumadas a vivenciar um oito de março recheado de propagandas maternas, afetivas, rosas (na cor e na flor), recebemos abraços, parabéns, ouvimos histórias de mulheres guerreiras, e, somos lembradas como mães, irmãs e filhas – posições sociais em relação aos homens.

Quando muito, nos lembram da história de luta das trabalhadoras da indústria têxtil norte americana que foram mortas em um incêndio na fábrica de tecidos, em março de 1911, em Nova York. Mulheres essas que, anos antes, demonstraram sua força de mobilização em greves por melhores condições de trabalho.

Pouco nos é falado sobre a determinação da alemã Clara Zetkin, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, para criação do dia internacional da mulher trabalhadora. A proposta tinha como objetivo, aproximar operárias e esposas de operários da política, conquistar seu apoio na causa socialista e também reivindicar direitos ainda não garantidos às mulheres, como o voto.

Devemos lembrar também da greve das mulheres socialistas na Rússia, em fevereiro de 1917, a qual foi importante causa para a Revolução Russa, que ocorreu em outubro do mesmo ano, mexendo profundamente nas relações mundiais.

Assim, apesar do atual caráter comercial da data, basta algumas pesquisas e percebemos a notória influência socialista na reivindicação pelo dia internacional da mulher, acrescida muitas vezes, a qualificadora: trabalhadoras. A luta por condições mais dignas de trabalho, desde a duração da jornada de trabalho até a equiparação salarial, são reivindicadas até hoje.

Nós, brasileiras, observamos nesses últimos anos, que as reformas trabalhista e previdenciária estão relativizando direitos conquistados com muita luta. Por exemplo, a reforma trabalhista que foi aprovada às pressas deixou um impasse sobre a vedação de trabalho insalubre às gestantes e lactantes – o Projeto de Lei do Senado nº 230/2018 tenta corrigir o erro. Já a Proposta de Emenda à Constituição que trata da Reforma da Previdência (PEC nº 287/2016) desconsidera muitas vezes (por exemplo, ao igualar a idade para aposentadoria entre homens e mulheres professores da rede pública de ensino, estipulando a idade mínima de 60 anos e 30 anos de contribuição para ambos), a múltipla jornada de trabalho exercida pela grande maioria das mulheres, sendo responsáveis pelos cuidados da casa, do marido/companheiro e dos filhos.

Em tempos confusos, é preciso relembrar as origens do Dia Internacional da Mulher, é urgente relembrar a luta e as conquistas e não deixarmos que diminuam nossos direitos em benefício de um progresso que não será de todas.

Vamos relembrar nossa força política, nossa capacidade de mobilização, já demonstrada recentemente. Vamos encher as ruas, os plenários, as salas de aula e os livros. Vamos dar continuidade à luta.

Referências Legislativas:

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/133248

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2119881

Referências Bibliográficas:

GONZÁLEZ, Ana Isabel Álvarez. As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres. 1ª edição. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2010.

https://livrepensamento.com/2017/03/08/100-anos-do-dia-internacional-da-mulher-trabalhadora/

https://www.youtube.com/watch?v=bL5ZiCA5qTk&feature=youtu.be

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43324887

https://blogdaboitempo.com.br/2016/03/07/as-que-vieram-antes-de-nos-historias-do-dia-internacional-das-mulheres/

https://blogdaboitempo.com.br/2017/03/08/aleksandra-kollontai-o-dia-da-mulher/

https://www.geledes.org.br/hoje-na-historia-1975-onu-oficializa-o-dia-8-de-marco-como-dia-internacional-da-mulher/


fonte: arquivo pessoal

Cristiane Duarte

Advogada feminista, atuante na área de direito de família e na defesa dos direitos das mulheres.

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