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Igualdade de gênero no campo científico? Será verdade?


Há um ano circulava nas mídias o relatório “Gender in the Global Research Landscap”, feito pela editora Elsevier, nele o Brasil aparece como um dos exemplos de sucesso em promover a igualdade entre homens e mulheres no ambiente acadêmico. A análise demostra os dados de artigos científicos escritos entre 1995 e 2015, e nesses 20 anos as mulheres brasileiras passaram a assinar a mesma proporção de artigos científicos que os homens. Em contrapartida, o estudo realizado pela Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos EUA, indica que a desigualdade salarial entre homens e mulheres também ocorre no setor científico. Nos Estados Unidos entre os homens que obtiveram o título de doutor e as doutoras, a diferença salarial é de 20% a menos para elas. Outro fato importante a se destacar é o estudo brasileiro, “Underrepresentation of women in the senior levels of Brazilian Science”, publicado em dezembro de 2017, indicando que, em geral, as pesquisadoras brasileiras recebem bolsas mais baixas do CNPq, se comparadas aos pesquisadores homens. Seguindo este estudo entende-se que a causa dessa diferença seria a maior presença de homens nos campos que pagam os maiores salários, como por exemplo ciências da computação. Mas, fico aqui a pensar... Quais fatores levam à maior presença de homens em setores que supostamente tenham melhores salários? Mulheres não teriam condições para seguirem em tais formações? O fato é que a força feminina na pesquisa científica é evidente, mas ainda se continua a privilegiar a ideia de patriarcado, como se “mentes masculinas” produzissem melhores pesquisas que “mentes femininas” e desta forma este círculo vicioso evidencia o sexismo camuflado no meio acadêmico, fortalecendo a ideia de que homens tem a maior presença em setores economicamente mais favorecidos, portanto, o fomento para suas pesquisas deverá ser maior. Hoje, com tantas discussões e esclarecimentos sobre a igualdade de gênero me custa a acreditar nesta monstruosa desigualdade entre homens e mulheres no campo das pesquisas acadêmicas.

Por Rita Spíndola


Referências e Aprofundamento:

https://super.abril.com.br/comportamento/mulheres-cientistas-ganham-20-a-menos-do-que-homens-nos-eua/

https://super.abril.com.br/sociedade/metade-dos-artigos-cientificos-no-brasil-sao-escritos-por-mulheres/

https://peerj.com/articles/4000/

https://www.elsevier.com/__data/assets/pdf_file/0008/265661/ElsevierGenderReport_final_for-web.pdf




Rita Spíndola

Professora feminista, Psicopedagoga e Mestra em Educação

Diretora do Centro de Estudos Frida Kahlo

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