• C.E.F.K.

Meninas vestem rosa e meninos vestem azul?

Atualizado: 8 de Abr de 2019


O mês de março se finda e nos deixa profundas reflexões.

Mulheres empreendedoras são cada vez mais presentes, apesar da ideia de o patriarcado ainda persistir em algumas mentalidades. A taxa de feminicídio aumenta assustadoramente e ainda discutimos se as delegacias das mulheres deverão ter atendimento por 24 horas.

É, estas reflexões não cabem somente no mês de março, principalmente quando se enaltecem estereótipos do tipo “meninas vestem rosa e meninos vestem azul”, ou então “uma cientista mulher é igual a um cientista homem” ou que “a capacidade empreendedora das mulheres se torna maior”.

Tentarei aqui entender que tais afirmações podem até ser bem-intencionadas, mas o fato é que tais afirmações inspiram cada vez mais a desigualdade e opressão. Ainda presenciamos diferenças salariais entre homens e mulheres, ainda setorizamos os campos de atuação e principalmente indicamos as devidas “cores” que cada um deve usar. Não nos percebemos que com tais afirmações validamos cada vez mais a mentalidade de que homens podem mais que as mulheres, e isto não se trata de achismos ou “mimimis”, um estudo realizado na Universidade Stanford e publicado no periódico Cognitive Science diz que alguns incentivos cotidianos precisam ser repensados.

As autoras do estudo, Eleanor Chestnut e Ellen Markman, testaram os efeitos de frases como essas em adultos e notaram que a linguagem pode desempenhar um papel enorme na maneira como percebemos o mundo, portanto, se faz importante identificar elementos que podem nos influenciar de uma forma ou de outra, sem percebermos.

A estrutura usada nas afirmações induz o padrão para o gênero masculino, assim, dizer “mulheres são tão boas quanto homens” significa para o ouvinte ter um objeto (“mulheres”) comparado a outro, que é considerado o padrão, ou mais comum (“homens”). A intenção pode ser de trazer a ideia de igualdade, até mesmo porque podemos não considerar tais afirmações tendenciosas, o que mostra que as pessoas muitas vezes não estão cientes de como a linguagem as influência e de como reforça a ideia de que só um deles (homem) é o padrão, esse tipo de linguagem está em toda parte, todavia, para alcançar a igualdade de gênero, devemos analisar criticamente nossa linguagem para que possamos identificar e corrigir as formas pelas quais reforçamos implicitamente a crença de que os homens são o gênero dominante e de status mais alto.

Referências: https://super.abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/mesmo-bem-intencionadas-estas-frases-

reforcam-estereotipos/


fonte: Arquivo Pessoal







Rita Spíndola

Professora feminista, psicopedagoga, Mestra em Educação e Diretora do Centro de Estudos Frida Kahlo.

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