OBJETO DE DESCONSTRUÇÃO

Atualizado: Mar 2

Quando falamos de objetificação da mulher, logo pensamos em como somos retratadas em comerciais de produtos (e pela mídia em geral). Curioso pensar que isso nos atinge de imediato: como somos vistas e representadas nas relações de consumo, nos tornando também algo a ser consumido.

Várias propagandas comerciais reproduzem, ensinam e perpetuam o sexismo, o machismo e o patriarcado. São reflexo e também moldadoras das relações sociais. Reflexo, porque seu conteúdo reproduz os costumes vigentes, mas também são moldadoras da vontade e criadoras de necessidades.

Mas pensar e se ater à objetificação da mulher se restringindo apenas à representação e entendimento da mulher pela mídia não contempla toda complexidade da questão. Afinal, entender a mulher como propriedade, portanto, como objeto, antecede essa relação de consumo.

Por exemplo, analisando a legislação brasileira, no que tange aos direitos das mulheres, compreendemos outras facetas da objetificação da mulher, da mulher como propriedade do homem (pai e/ou marido), da mulher como ser incapaz (no sentido jurídico da palavra), da mulher como ser que precisa de tutela (que necessita de autorização de um homem para prática de certos atos). A objetificação desumaniza a mulher, ou seja, não a reconhece como ser humano, como sujeito de direitos, mas sim como objeto que necessita da tutela de um homem.

Importante ressaltar que o Direito reproduz e mantém a sociedade patriarcal, mantém essas relações de poder que, em última medida, autorizam subjugar mulheres. Podemos afirmar que a mídia e o Direito (aqui em sentido amplo, entendendo os três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário) naturalizam o machismo, corroboram a estrutura patriarcal da sociedade.

Resultado da atuação de pensamentos e movimentos feministas, podemos citar alguns exemplos de leis que desconstroem a ideia da mulher como objeto de tutela, entre elas: o direito ao voto (1932), o direito ao divórcio (1977), o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres (1988), o direito a viver uma vida sem violência (2006), o reconhecimento do feminicídio (2015).

As conquistas relatadas acima são importantes, porque afetam diretamente em nossas vidas. O Direito, portanto, é um campo a ser disputado. É importante disputar o reconhecimento de mulheres como sujeito de direitos e não como objeto de tutela. Desconstruir a mulher como objeto é desnaturalizar o machismo.

REFERÊNCIAS

https://www.youtube.com/watch?v=MdoJnJTEj88

https://www.geledes.org.br/a-objetificacao-da-mulher-e-a-naturalizacao-do-machismo-na-midia/

https://www.migalhas.com.br/depeso/301459/reflexoes-sobre-a-igualdade-de-genero-no-processo-civil

http://www.mariaberenice.com.br/uploads/18_-_a_mulher_no_c%F3digo_civil.pdf

Arquivo pessoal

Cristiane Duarte


Advogada feminista, atuante na área de direito de família e na defesa dos direitos das mulheres.

14 visualizações

Endereço:
Rua Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 237 - Jardim América

Fone: (16) 3325-1888
Cel.: (16) 99451-4774
Email:  contato@centrodeestudosfridakahlo.com.br

Quer saber mais?

Fone: (16) 3325-1888

Cel.: (16) 99451-4774